» A Little Light. Laura Dunn, USA, Experimental, 2026, 5’48’’
“Haverá muitos dias de trabalho que ninguém verá jamais…”. Dois elementos simples dão forma a esta curta-metragem: uma gravação áudio do escritor e agricultor Wendell Berry, sentado com a mulher, Tanya, na sala de estar da sua casa, numa tarde quente de agosto de 2012, enquanto lê excertos do seu poema The Farm; e um longo plano do sol de inverno a desaparecer lentamente atrás de um celeiro, na propriedade onde vivem, no condado de Henry, Kentucky. Um dos poemas favoritos de Tanya, The Farm, acompanha o ciclo das estações da vida e reflete sobre o significado de criação de raízes no amor por um determinado lugar.”
» Anamolies Dans Le Paysage (Anomalies in a Landscape). Félix Caraballo, Canadá, Experimental, 2025, 7’38’’
ANOMALIES IN A LANDSCAPE é um filme composto por quatro quadros — quatro paisagens audiovisuais que se revelam em toda a sua estranheza. Especiarias, folhas e algas marinhas locais revelam e impregnam de cor este filme, rodado e revelado nas próprias margens do rio Magtogoek/São Lourenço.
» Ara. Rita Bolieiro, Portugal, Experimental, 2025, 9’53’’
Nesta ilha, onde as pedras são simultaneamente profetas e altares, a natureza e os seus vestígios são divinos. O culto realiza-se através de gestos e oferendas: tudo o que provém da ilha regressa a ela.
» An Atmospheric Condition nº1. Javier Clemente Martinez, Espanha, Experimental, 2026, 3’39’’
No Antropoceno, a catástrofe nem sempre chega sob a forma de espetáculo. Por vezes, instala-se na atmosfera. Filmado em Trevinca, uma área protegida da Rede Natura 2000, na Galiza, durante os devastadores incêndios do verão de 2025, An Atmospheric Condition observa o fogo não como um acontecimento isolado, mas como um estado persistente, inscrito na paisagem. Através de uma imagem fixa, concebida como um ciclo contínuo, o fumo, a luz transformada e a terra ocultada substituem a progressão narrativa: sem um início claro, um clímax ou uma resolução. Enraizada nos incêndios recorrentes do noroeste de Espanha, mas projetando-se em direção a uma condição planetária, a obra faz uma reflexão sobre o colapso ecológico, a transformação do território e as forças políticas, económicas e humanas que se entrelaçam nesse processo. À medida que a paisagem arde e se recompõe apenas para voltar a arder, a catástrofe deixa de interromper a normalidade e passa a constituí-la — uma atmosfera que já não observamos à distância, mas que, cada vez mais, somos obrigados a aprender a habitar.
» Feathers [Set] Adrift. Isabel Pastor e Benjamin Rossmann, Alemanha/Espanha, Videoart, 2025, 5’16”
Outrora venerados como mensageiros fiáveis, os pombos ligavam grandes distâncias, transportando palavras pelo mundo. Aqui surgem em pleno voo, tendo as suas trajetórias sido captadas nos ritmos da competição. Na colombicultura, uma tradição de criação competitiva de pombos originária do sudeste de Espanha, a plumagem tingida não só representa um sinal de reconhecimento e controlo, mas também uma forma inquietante de afeto humano. Esta obra estabelece uma ponte entre as espécies e os sentidos, entre o selvagem e o domesticado, entre o orgânico e o simbólico, traçando a forma como cuidado e controlo se confundem no desejo humano de marcar, seguir e dar nome à própria vida. Aquilo que, à primeira vista, parece um espetáculo natural ou digital revela-se uma imagem humana no corpo da ave, numa tradição em que o ornamento significa cuidado e a cor reivindicação. As aves parecem pairar no limiar do significado, com a sua existência entrelaçada com o poder e os costumes humanos, assinalando um momento de dissidência estética — ou talvez simplesmente outra forma, não escolhida, de serem vistas. Inspirada na metáfora de Uexküll da vida como uma composição musical, em que os diferentes ambientes de cada animal, ou “Umwelten”, se sobrepõem, a obra reflete sobre as formas como diferentes espécies se relacionam com o mundo. Não como uma harmonia perfeita, mas como melodias — construídas e reelaboradas a partir de gravações de campo de pombos e dos seus criadores — que se cruzam, interferem e se transformam umas nas outras. O resultado é um retrato de aves e humanos atravessado por relações de intimidade e controlo, onde os pombos surgem simultaneamente como mensageiros da tradição e de uma realidade marcada pela fratura. Ao explorar estes entrelaçamentos desiguais, a obra dá visibilidade a formas fragmentárias de existência entre diferentes espécies e abre espaço à possibilidade de novos mundos para além do humano.
» Halocline. Pablo Koury e Malgorzata Sus, Suécia, Documentário/Experimental, 2026, 9’42’’
Na haloclina do Báltico, onde as águas salgadas e doces se confrontam antes de se misturarem, três habitantes da costa personificam a memória do mar e refletem sobre a vulnerabilidade, a adaptação e a resiliência.
» I move, Therefore I am. Michalina Szymankiewicz, Portugal, Experimental, 2026, 14’03’’
A Terra dá à luz um ser humano. Com o primeiro sopro, começa a vida — uma dança íntima de descoberta sobre o solo que o moldou. Nascido da natureza, nunca chega verdadeiramente a se separar dela. Através da curiosidade, do movimento e do toque, aprende a conhecer-se a si próprio e ao mundo: as pedras, as florestas, os desertos abertos. Cada gesto transforma-se num diálogo entre o corpo e a terra, o sopro e o vento, a luz e a sombra. O corpo procura, aprende e ama, encontrando ternura e pertença no ritmo do mundo natural. Contudo, tal como todos os ciclos têm de chegar ao fim, a energia desvanece-se. A mesma terra que acolheu o primeiro passo torna-se agora num lugar de repouso. Através da exaustão, da entrega e da quietude, a viagem encerra-se onde começou — na escuridão, na aceitação serena da terra. Este filme constitui um exercício de reflexão visual e física sobre a existência — um lembrete de que nunca estivemos separados da natureza, mas que sempre fomos parte dela.
» Mata Virgem. Aline Tanaã Tavares, Brasil, Experimental, 2025, 2’20’’
Mata Virgem é um manifesto ecofeminista que tensiona as relações entre natureza, corpo e poder. Em uma poética visual densa e provocativa, a obra desmonta a ideia de “virgindade”, onde nem a mata, nem a mulher são intocadas. Ambas são corpos colonizados, explorados sob a lógica extrativista do progresso capitalista. Mata Virgem não oferece respostas, mas convoca à escuta sensível: como nos relacionamos com a vida? Que mundo estamos parindo — ou enterrando?
» Quinte West. Dan Sokolowski, Canadá, Animação/Documentário/Experimental, 2025, 2’53’’
Uma sinfonia de aves acompanha o ambiente da paisagem.
» The Hidden Cost of Brigtness. Konstantin Bondarev, Arménia, Animação/Experimental, 2026, 4’
O presente projeto aborda o problema do consumo acelerado de vestuário, eletrónica e outros produtos do quotidiano. Na procura de um prazer efémero, compramos coisas novas que rapidamente perdem o seu encanto e acabam em aterros. Neste ciclo, pouco se pensa no impacto sobre o planeta ou no valor da contenção. Este comportamento já deu origem a enormes lixeiras e até a ilhas flutuantes de resíduos nos oceanos, e o processo não mostra sinais de abrandamento. A humanidade tem de começar a enfrentar este problema com muito mais seriedade, se não quisermos que o nosso planeta se transforme num aterro tóxico para futuras gerações.