As mulheres marisqueiras deixam nos mangues marcas do seu trabalho, cicatrizes desenhadas nas raízes e nos galhos. Esses cortes, testemunhas silenciosas da coleta de ostras, se tornam um calendário vivo. Para essas mulheres, cada cicatriz é uma memória do tempo que passou, uma contagem das marés grandes, desde a última vez que estiveram ali. Mas não são só os mangues que permanecem marcados. Os braços das marisqueiras, também riscados de cicatrizes, contam a história desse vínculo profundo com o ciclo da vida, onde a maré, o mangue e o corpo se tornam parte de uma mesma narrativa.