Em maio de 2024, uma enchente devastadora atingiu o Rio Grande do Sul no Brasil, deixando marcas irreparáveis na vida de milhões de pessoas. A catástrofe desnudou a dimensão da crise climática e do aquecimento global. Mais de 600 mil pessoas foram desalojadas, milhares perderam as suas casas, e bairros inteiros permaneceram submersos durante semanas.
A enchente transformou a Capital, Porto Alegre, num cenário de guerra: as ruas viraram rios, o Centro Histórico engolido pelas águas, e no bairro Arquipélago da cidade — conhecido como as Ilhas — o impacto assumiu contornos ainda mais brutais. Ali, quase quatro mil pessoas viram as suas casas tomadas, não pela lama, mas pela areia em altura descomunal, enquanto as pontes que ligam o continente submergiam. É nesse contexto que surge Rua do Pescador, nº 6, um documento histórico e um retrato íntimo da tragédia. Assim que as águas cederam, uma pequena equipa de cineastas gaúchos registou o que restava: ruas soterradas e casas destruídas. Também encontrou algo maior do que a devastação — a força de uma comunidade que, mesmo ferida, luta pela sua terra, pela sua memória e pelo seu pertencimento.