Nos campos áridos de Goiás, no coração geográfico do Brasil, a irmã Maria Inês de Oliveira avança lentamente no seu velho carro, deixando pelo caminho uma nuvem de pó. Vai de casa em casa, ouvindo as famílias camponesas que perderam o que outrora foram terras férteis, devoradas pela expansão da mineração de nióbio – um mineral considerado crítico para a transição energética. Onde antes cresciam colheitas, hoje erguem-se montanhas de resíduos tóxicos.
A curta-metragem documental “Sob o pó, a nossa terra” acompanha os passos desta freira que, com resiliência e um empenho inabalável, vai tecendo laços de apoio entre comunidades ameaçadas, mas que não estão dispostas a render-se. O filme abre uma janela para um conflito que liga estas comunidades camponesas brasileiras a uma engrenagem de interesses económicos e a uma estrutura internacional de poder que, sob uma máscara verde, perpetua a lógica colonial. A contradição que emerge é inevitável: será possível construir um futuro verdadeiramente justo e sustentável sobre a ruína daqueles que cuidam da terra?
Detalhes do realizador Miguel Angel Herrera
Miguel Ángel Herrera (Bogotá, 30/11/1981) é realizador, produtor, diretor de fotografia e editor colombiano. A sua filmografia mais recente inclui os títulos como Insumisas (2023), Ocupación S.A. (2020) e Los Anfitriones (2020). Os seus filmes, focados sempre em questões de direitos humanos, foram exibidos em festivais como o Festival Internacional de Cinema de Santa Barbara, o Festival de Cinema de Málaga, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival Internacional de Cinema e Direitos Humanos de San Sebastián. É licenciado em Meios Audiovisuais pelo Politécnico Grancolombiano (Colômbia) e possui uma especialização em Produção de Cinema e Televisão. Em 2012, cofundou a produtora Forward Films, dedicada à produção de documentários sobre questões sociais, ambientais e de direitos humanos. Desde então, trabalhou em projetos desenvolvidos em mais de 20 países da América Latina, Caraíbas e Europa. Miguel Ángel é membro da DOCMA (Associação Espanhola de Cinema Documental) e, em 2024, foi selecionado para participar no EsoDoc, um programa internacional de desenvolvimento de documentários dedicado a projetos de impacto social.