Nos campos áridos de Goiás, no coração geográfico do Brasil, a irmã Maria Inês de Oliveira avança lentamente no seu velho carro, deixando pelo caminho uma nuvem de pó. Vai de casa em casa, ouvindo as famílias camponesas que perderam o que outrora foram terras férteis, devoradas pela expansão da mineração de nióbio – um mineral considerado crítico para a transição energética. Onde antes cresciam colheitas, hoje erguem-se montanhas de resíduos tóxicos.
A curta-metragem documental “Sob o pó, a nossa terra” acompanha os passos desta freira que, com resiliência e um empenho inabalável, vai tecendo laços de apoio entre comunidades ameaçadas, mas que não estão dispostas a render-se. O filme abre uma janela para um conflito que liga estas comunidades camponesas brasileiras a uma engrenagem de interesses económicos e a uma estrutura internacional de poder que, sob uma máscara verde, perpetua a lógica colonial. A contradição que emerge é inevitável: será possível construir um futuro verdadeiramente justo e sustentável sobre a ruína daqueles que cuidam da terra?