Alberto Pescador nasceu entre o som das ondas e o esforço das redes puxadas da areia. Durante toda a sua vida, o mar foi o seu sustento, a sua escola e a sua casa. Hoje, porém, assiste ao lento desaparecimento da arte xávega, uma tradição secular que durante gerações moldou a identidade das comunidades costeiras portuguesas.
Confrontado com a falta de homens para formar as companhas, com a ausência de apoios e com a inevitável passagem do tempo, Alberto vê extinguir-se não apenas uma prática de pesca, mas um património humano e cultural construído por sucessivas gerações. Enquanto as redes se tornam mais leves de mãos e mais pesadas de memória, o pescador permanece como uma das últimas testemunhas de um modo de vida em risco de desaparecer. Ao soprar um antigo búzio, Alberto convoca recordações que parecem emergir das profundezas do mar. As vozes dos companheiros que partiram, as histórias de trabalho e camaradagem, os rituais da pesca e os momentos que marcaram uma vida inteira regressam numa viagem entre o presente e a memória. Cada lembrança revela não apenas o percurso de um homem, mas a história coletiva de uma comunidade que encontrou no mar a sua razão de existir. Entre a dureza da realidade contemporânea e a beleza intemporal da paisagem marítima, MAR ALBERTO é um retrato íntimo sobre identidade, resistência e legado. Um testemunho poético sobre aquilo que permanece quando tudo parece desaparecer e uma reflexão sobre a urgência de preservar as memórias antes que o silêncio ocupe definitivamente o lugar das vozes que durante séculos ecoaram na praia.