Os pastores de renas Sámi, Sissel Stormo Holtan, Elise Årbogen e Terje Haugen passaram duas décadas a lutar contra o maior projeto de energia eólica da Europa, implantado sobre terras de pastoreio fundamentais para a sua vida, nas montanhas de Fosen, na Noruega. Ainda antes de o processo judicial estar concluído, o Estado norueguês autorizou o acesso das empresas de energia eólica ao terreno, permitindo a construção de 151 gigantescas turbinas eólicas. Alguns anos mais tarde, a situação inverte-se.
O Supremo Tribunal da Noruega decide que o parque eólico viola os direitos humanos do povo Sámi, devolvendo a esperança de que as montanhas das quais depende a sua cultura lhes sejam finalmente restituídas. Pela primeira vez, Sissel, Elise e Terje acreditam que as turbinas serão removidas e que a sua montanha lhes seja devolvida. Contudo, o triunfo rapidamente dá lugar à desilusão. O Governo norueguês recusa-se a executar a decisão judicial, apoiando-se nas empresas do setor eólico financiadas por grandes grupos como o Credit Suisse e a Stadtwerke München e defendendo que “medidas de mitigação” permitirão a coexistência entre as turbinas e a criação de renas. Em resposta, jovens Sámi iniciam uma vaga de protestos que atrai a atenção internacional e desencadeia fortes críticas ao Governo norueguês. Sob uma pressão crescente, o Primeiro-Ministro acaba por reconhecer, pela primeira vez, que os direitos humanos do povo Sámi foram efetivamente violados. Contudo, em vez de desmantelar as turbinas, o Governo propõe uma indemnização de 14 milhões de euros, incentivando os pastores a deslocarem os seus rebanhos para outras áreas. Para Sissel, Elise e Terje, esta proposta representa um novo e doloroso dilema. Embora o dinheiro pudesse garantir-lhes estabilidade financeira, veem-no como uma forma moderna de deslocação forçada. Como afirma Terje: «As renas não comem dinheiro.»