As maiores reservas de lítio do mundo encontram-se nos Andes bolivianos. Enquanto os europeus procuram garantir esta matéria-prima para salvar a sua indústria automóvel, os bolivianos veem uma oportunidade para combater a pobreza e as empresas de todo o mundo exploram as suas opções. O lítio desencadeou uma nova corrida ao ouro. Essencial para a transição energética, este metal revelou-se é indispensável ao funcionamento de sistemas de armazenamento de energia, centros de dados, veículos elétricos e smartphones.
Do lado europeu, empresários e diplomatas da União Europeia lideram as negociações com o Governo boliviano. Nas zonas rurais, mobilizam-se em defesa os movimentos da sociedade civil, maioritariamente organizados por mulheres. Através de uma abordagem observacional e de uma narrativa multifacetada, o filme oferece um raro acesso à estratégia europeia para assegurar este recurso tão cobiçado, dando igualmente voz às diferentes perspetivas de um agricultor, um pastor de lamas, um guarda de mina, um advogado, um mineiro e um ativista político sobre o extrativismo e a industrialização na Bolívia. A história da opressão colonial, evocada através da crónica do século XVI do cronista indígena Guamán Poma de Ayala, lança uma nova luz sobre o presente e coloca uma questão incontornável: estaremos verdadeiramente preparados para a descolonização?
Detalhes do realizador Jens Schanze

Jens Schanze cresceu na Renânia, na antiga Alemanha Ocidental. Iniciou o seu percurso académico na área das Ciências Florestais e viveu durante um ano na Bolívia, antes de se formar em Realização de Documentários pela Universidade de Televisão e Cinema de Munique. Em 2002, fundou a produtora Mascha Film em parceria com Judith Malek-Mahdavi. Em 2014, passou a integrar o corpo docente como professor de Design de Cinema e de Vídeo no Instituto de Tecnologia de Deggendorf. Os seus filmes, marcados por uma abordagem provocadora e reflexiva, têm sido exibidos em prestigiados festivais internacionais e distinguidos com inúmeros prémios. A responsabilidade do indivíduo na construção e desenvolvimento da sociedade assume um papel predominante nas suas obras. É membro da Academia Alemã de Cinema e da Academia Europeia de Cinema.