As maiores reservas de lítio do mundo encontram-se nos Andes bolivianos. Enquanto os europeus procuram garantir esta matéria-prima para salvar a sua indústria automóvel, os bolivianos veem uma oportunidade para combater a pobreza e as empresas de todo o mundo exploram as suas opções. O lítio desencadeou uma nova corrida ao ouro. Essencial para a transição energética, este metal revelou-se é indispensável ao funcionamento de sistemas de armazenamento de energia, centros de dados, veículos elétricos e smartphones.
Do lado europeu, empresários e diplomatas da União Europeia lideram as negociações com o Governo boliviano. Nas zonas rurais, mobilizam-se em defesa os movimentos da sociedade civil, maioritariamente organizados por mulheres. Através de uma abordagem observacional e de uma narrativa multifacetada, o filme oferece um raro acesso à estratégia europeia para assegurar este recurso tão cobiçado, dando igualmente voz às diferentes perspetivas de um agricultor, um pastor de lamas, um guarda de mina, um advogado, um mineiro e um ativista político sobre o extrativismo e a industrialização na Bolívia. A história da opressão colonial, evocada através da crónica do século XVI do cronista indígena Guamán Poma de Ayala, lança uma nova luz sobre o presente e coloca uma questão incontornável: estaremos verdadeiramente preparados para a descolonização?