Desde muito pequeno que o meu filho Jules, de 10 anos, vive em contacto com a natureza, passando os dias ao ar livre, subindo às árvores e nutrindo por ela um amor raro. Quando me contou a história de um rapaz que chega a uma ilha deserta e descobre a riqueza do mundo natural, antes de um desfecho perturbador revelar um futuro em que essa natureza desaparece para sempre, percebi que tínhamos de fazer este filme juntos.
Mais do que transmitir a sua mensagem, quis mostrar-lhe a importância de acreditar nas próprias ideias e de as concretizar. A primeira parte do filme foi rodada na ilha de Santo Antão, a mais ocidental de Cabo Verde, em película de 16 mm. Filmar em película fez também parte da experiência por ser um suporte orgânico, tangível e precioso. Para Jules, que interpreta o protagonista, isso significou uma responsabilidade acrescida, exigindo concentração e rigor para evitar o desperdício dos planos. Para a segunda parte, a animação revelou-se a escolha natural. Além da sua linguagem universal e da dimensão de fábula que confere ao filme, mantém um caráter artesanal, profundamente humano e, de certa forma, próximo da própria natureza. Tivemos a felicidade de contar com Agnès Patron, cujo trabalho admiramos, que acolheu o projeto e deu forma, com enorme sensibilidade, às imagens que imaginávamos. A banda sonora original, composta por Pierre Oberkampf, acompanha esta história simultaneamente inspiradora e trágica, traduzindo primeiro o fascínio de uma criança pela natureza e, depois, a profunda desilusão provocada pela revelação final. Esperamos que o filme toque o maior número possível de espectadores e recorde a importância de proteger o verdadeiro tesouro que habitamos: o nosso planeta. Como afirma Sir David Attenborough: «Temos de devolver a natureza ao mundo.»