Nas zonas superiores do rio Vöckla, acompanhamos dois cientistas na reintrodução do lagostim-de-patas-brancas, uma espécie em perigo de extinção. O que inicialmente se apresenta como um projeto de conservação abre, em ÅRT, um espaço de reflexão muito mais amplo: um olhar sobre a vida oculta sob a superfície da água e sobre o frágil equilíbrio dos ecossistemas que muitas vezes permanecem invisíveis para nós. Através de uma linguagem visual desacelerada e observadora, acompanhada por um desenho de som autêntico, o filme mergulha num mundo que se desenrola sob a superfície — silencioso, vulnerável, mas repleto de significado. Deste modo, ÅRT combina a observação ecológica com uma reflexão poética sobre Heimat — um sentido de lar, pertença e lugar. O título remete para um dialeto da Alta Áustria, no qual Art (espécie) e Ort (lugar) têm a mesma pronúncia, questionando até que ponto o nosso sentido de Heimat é moldado não apenas pelas paisagens e pelos lugares, mas também pelas espécies com as quais partilhamos o espaço. O filme transforma-se, assim, numa reflexão silenciosa, mas poderosa, sobre a natureza, a perda e a pertença.