Um jardineiro trabalha num grande resort na ilha de La Palma. Todos os dias, cuida das piscinas, sebes, canteiros e plantas ornamentais, reproduções domesticadas da natureza selvagem que o rodeia. No entanto, dentro de si, repete como uma oração: “Este é o meu jardim, aqui construirei o meu jardim.” A sua verdadeira felicidade não se encontra na ordem artificial do turismo, mas no desejo de devolver vida às ruínas deixadas pelo vulcão. Decide, por isso, subir ao cume, onde a terra permanece ferida, e aí realizar o seu ritual diário, frágil como um ato de fé. No mesmo hotel, uma jovem turista começa a inquietar-se. Através do seu olhar, vemos a ilha meio adormecida, suspensa entre a natureza selvagem e as infraestruturas kitsch, entre a promessa de lazer e a vibração subterrânea da terra. Também ela procura um sentido na paisagem, refletindo sobre a utopia e sobre a própria essência da felicidade. Felicidad é a história de duas solidões que, por um instante, parecem encontrar-se. Ele, um homem marcado por uma catástrofe natural; ela, uma jovem à deriva no seu próprio desconforto. A ilha torna-se o lugar simbólico do seu encontro, um laboratório de forças opostas onde a natureza resiste e a humanidade tenta inventar uma utopia.