Em 1972, o casal de biólogos George Hunt e Molly Warner fazem uma descoberta sem precedentes enquanto estudam gaivotas numa das ilhas do Canal da Califórnia. Para sua surpresa, muitos dos pares que observam são constituídos por duas fêmeas. A investigação de George e Molly sobre as «gaivotas gays» desencadeia rapidamente tanto indignação como entusiasmo, num país que vive o crescimento do movimento pelos direitos LGBTQ+. Love Birds é uma curta-metragem acerca de dois jovens cientistas ambiciosos, a sua história de amor e uma descoberta fortuita que os lança no centro de uma tempestade cultural e política. Embora o seu trabalho deixe uma marca indelével na história e tenha impacto em gerações de pessoas LGBTQ+, acaba também por conduzi-los a uma separação que levará décadas a sarar. A publicação do estudo de George e Molly, em 1977, faz manchetes em todo o mundo. A cobertura mediática oscila entre o apoio, a perplexidade e a hostilidade aberta. Muitos comentadores consideram o trabalho dos cientistas, na melhor das hipóteses, uma anedota e, na pior, um desperdício de tempo e dinheiro dos contribuintes. Mas o apoio da emergente comunidade LGBTQ+, pronta para a luta após os motins de Stonewall e mobilizada por uma nova liderança, cresce de forma explosiva. No ano seguinte, quando a Câmara dos Deputados se reúne para renovar o financiamento da Fundação Nacional de Ciência, as «gaivotas gays» estão na ordem do dia. A investigação é escolhida como alvo de ridicularização e o futuro do financiamento público da ciência parece estar em jogo. A nossa história vai além do drama político e mergulha num drama muito mais íntimo. Jovens investigadores ambiciosos, apaixonados e recém-casados, Molly e George, deixam para trás tudo o que conhecem para embarcar numa expedição arriscada a um lugar remoto, isolado e inóspito, em nome da investigação científica. Na ilha de Santa Bárbara, ao largo da costa da Califórnia, encontram a concretização dos seus sonhos científicos. Mas o sucesso tem um preço, levando a relação até ao limite e, por fim, a um desgosto profundo. Através de entrevistas contemporâneas com George e Molly, filmadas com grande cuidado, e entre milhares de diapositivos Kodachrome inéditos, Love Birds viaja entre os anos 1970 e o presente, desde o campus universitário no Massachusetts, onde os protagonistas se conheceram, até à ilha, a 40 milhas da costa da Califórnia, onde desenvolveram o seu trabalho. Esta é uma história que importa contar nos dias de hoje, numa altura em que a ciência continua a permanecer no centro das cada vez mais acesas guerras culturais. Em muitos aspetos, o cenário político atual dos Estados Unidos não está assim tão distante daquele que se vivia nos anos 1970. A descoberta de George e Molly é mais do que um primeiro e surpreendente vislumbre da homossexualidade no reino animal. Representa uma rutura científica com a influência da religião e da moralidade pública. Na sequência da descoberta, a ciência muda de lado, dando à comunidade LGBTQ+ um novo aliado e uma nova esperança no futuro — mesmo quando a pandemia de SIDA começa a surgir no horizonte.